ITB: Brasil vira “destino piloto” de programa alemão para turismo sustentável

 

 O Brasil foi o primeiro país no mundo selecionado para participar de um projeto de sustentabilidade no turismo fomentado pelo governo da Alemanha. O memorando de entendimentos foi assinado na quinta-feira (7) durante a Feira Internacional de Berlim (ITB), principal evento de turismo da Europa, e tem como partes a Embratur e a German Travel Association (DRV), principal associação do setor de viagens da Alemanha, que reúne cerca de 4.500 membros e empresas do setor no país, entre companhias aéreas, rede hoteleira e agências de viagem.

 

A DRV é membro do programa “Plataforma Nacional Turismo do Futuro”, criado pelo ministério alemão de Assuntos Econômicos e Ação Climática (BMWK), e foi designado como o principal parceiro quando se trata de cooperação com destinos internacionais. A plataforma financia ações que confiram sustentabilidade ao turismo praticado dentro do país. O projeto que o Brasil foi selecionado para participar como “destino piloto” agora busca mitigar o impacto do turismo praticado pelo turista alemão em outros países.

 

O programa vai identificar iniciativas inovadoras sustentáveis em parceria com a WWF em destinos de interesse dos alemães no país, realizar visitas de inspeção nestas localidades e atuar, em parceria com o governo brasileiro e a DRV, com intercâmbio de tecnologia e boas práticas para garantir que todo o impacto do turismo nestas regiões seja positivo para meio ambiente e para as comunidades locais, com geração de empregos e desenvolvimento social.

 

A terceira etapa é a promoção: o projeto prevê que os destinos qualificados serão considerados prioritários para a venda de pacotes pelas agências e empresas aéreas, o que deve impulsionar a chegada de alemães ao Brasil nos próximos anos. “O objetivo é apoiar ativamente o desenvolvimento de produtos turísticos inovadores e sustentáveis em destinos que atendam ao mercado alemão. O plano é analisar e avaliar produtos turísticos em regiões selecionadas do Brasil”, destaca trecho do memorando de entendimento assinado em Berlim.

 

Na parceria, caberá à Embratur, junto com South America Tours (SAT) e WWF, indicar os destinos que já possuam projetos de desenvolvimento sustentável para ofertar ao trade emissor alemão através do programa e também apontar os destinos que despertam grande interesse do mercado internacional, mas ainda precisam avançar na adaptação de suas atividades.

 

Inicialmente, foram indicados destinos de natureza no Pantanal e na Amazônia, que deverão ser visitados pela comitiva alemã em novembro deste ano. A Embratur também atuará no roteiro e receptivo da comitiva com 15 membros das maiores operadoras de turismo do país.

 

Do lado alemão, são parcerias do projeto as operadoras de turismo TUI e DER Touristik, a Ong WWF e a companhia aérea Lufthansa.

 

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, esteve na Alemanha para a assinatura do termo e comemorou o resultado. “Iniciamos o diálogo para que fôssemos o país escolhido para esse projeto há exatamente um ano, quando estivemos aqui na mesma feira ITB. Agora voltamos para o Brasil com essa grande notícia: a principal entidade de turismo da Alemanha, apoiada pelo governo federal, vai nos ajudar a trazer turistas para visitar os destinos sustentáveis de nosso país. Mais que isso, vão nos ajudar a acelerar nosso processo de desenvolvimento de nossos serviços turísticos com foco na sustentabilidade”, disse.

 

Dados

 

 

 

 

 

 

 


Maior emissor de turistas da Europa e 2° mundial, a Alemanha é apenas o terceiro país europeu que mais visita o Brasil, atrás de França e Portugal. Em 2023, foram 158.582 turistas alemães em território tupiniquim. O número é 31% maior que no ano anterior, quando o registro foi de 120.670. A previsão para este ano é que os destinos brasileiros recebam 215.336 viajantes do país germânico. Os dados de visitantes do exterior são da Gerência de Dados da Embratur em parceria com o Ministério do Turismo (MTur) e a Polícia Federal (PF).

Neurotecnologia permitirá alterar funcionamento mental, diz cientista ”pai da neurociência”’, Nobel de Fisiologia

 

O neurobiólogo espanhol Rafael Yuste é apontado como um dos mais influentes neurocientistas da atualidade. Admirador de seu conterrâneo, o médico Santiago Ramón y Cajal, que recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1906 e é considerado o “pai de neurociência moderna”, Yuste tornou-se um forte candidato a receber o principal prêmio científico mundial, graças a suas importantes contribuições científicas.

 

Diretor do Centro de Neurotecnologia da Universidade de Columbia (Estados Unidos), onde tenta decifrar o código neural (relação entre conjuntos de neurônios e o comportamento ou estado mental de indivíduos), ele é um dos idealizadores da Iniciativa Brain, lançada em 2014 pelo então presidente norte americano, Barack Obama como forma de promover o desenvolvimento de técnicas e aparelhos que ajudem os especialistas a compreender o funcionamento da mente humana.

 

Também é um dos fundadores e principal porta-voz da Fundação Neurorights, organização que reúne um grupo de especialistas que propõem a ampliação do rol de direitos humanos a fim de proteger os indivíduos da eventual má utilização das neurotecnologias.

 

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o espanhol fala sobre os avanços no desenvolvimento de inovações na área e defende a proteção dos dados obtidos por meio das neurotecnologias. “Propomos o direito à privacidade mental. É preciso proteger as informações pessoais obtidas com o emprego de neurotecnologias, ou seja, os neurodados, da decodificação sem consentimento prévio, mantendo-as em sigilo.”

 

Leia a íntegra da entrevista:

 

Agência Brasil: O que são neurotecnologias? O senhor pode citar exemplos do quanto e como estas ferramentas e técnicas estão presentes em nosso dia a dia?

 

Rafael Yuste: São métodos ou dispositivos usados para registrar os sinais elétricos [do sistema nervoso] ou modificar a atividade cerebral. Os dispositivos podem ser invasivos, quando implantados no cérebro – um chip ou um eletrodo, por exemplo – ou não invasivos – um capacete, óculos ou fone de ouvido. Hoje, a maior parte das neurotecnologias é usada no ambiente clínico. Já há dezenas de milhares de pacientes em todo o mundo usando implantes cocleares [prótese eletrônica utilizada para restaurar a audição em pessoas com déficit funcional] ou estimuladores cerebrais para tratar doenças como Parkinson ou depressão. Também já há casos de pacientes nos quais estão sendo testadas interfaces cérebro-máquinas. E, fora do âmbito clínico, há companhias vendendo de capacetes que prometem medir os níveis de estresse e ajudar as pessoas a meditar a pulseiras capazes de registrar a atividade do sistema nervoso.

 

Agência Brasil: Por que tantas empresas e países têm investido tanto dinheiro no desenvolvimento e aperfeiçoamento das chamadas neurotecnologias?

 

Yuste: Por ao menos três razões. A primeira, científica. O cérebro não é só mais um órgão do corpo: é o órgão que dá origem à mente. Com novas tecnologias que nos permitam ‘entrar’ no cérebro e registrar sua atividade, poderemos entender os seres humanos por dentro, ou seja, como nossa mente funciona. Consequentemente, mais cedo ou mais tarde, poderemos decifrar a atividade mental e, em alguns casos, alterá-la. O segundo motivo é a importância clínica. Com novos métodos ou dispositivos, poderemos desenvolver novos diagnósticos e terapias para doenças mentais, sejam elas neurodegenerativas ou neurológicas. A terceira razão é econômica. Muitas companhias tecnológicas apostam que, após o smartphone, a próxima revolução virá com um dispositivo cerebral, uma espécie de Iphone cerebral, um dispositivo que levaremos na cabeça e com o qual nos conectaremos direta e rapidamente à rede mundial de computadores. Há ainda uma quarta razão: os objetivos militares. Alguns países, como a China, também estão desenvolvendo neurotecnologia como ferramentas armamentistas e para incrementar a segurança nacional.

 

Agência Brasil: O senhor e outros especialistas sustentam que o aperfeiçoamento e a consequente intensificação do uso das neurotecnologias suscitam novos problemas éticos e sociais. Que problemas são esses?

 

Yuste: Em 2017, um grupo de 25 especialistas de diversas nacionalidades se reuniu na Universidade Columbia, em Nova York, para analisar os problemas éticos e sociais das neurotecnologias. Essa reunião ocorreu no campus de Morningside Heights, razão pela qual o grupo passou a ser chamado de Grupo de Morningside. Identificamos cinco aspectos críticos em relação aos quais o uso das neurotecnologias sem nenhum tipo de regulamentação provoca preocupações éticas e sociais. E propusemos a ampliação dos direitos humanos para a inclusão dos chamados neurodireitos. Nossa proposta é, com isso, protegermos esses cinco aspectos da atividade humana contra o potencial uso indevido ou abuso na utilização das neurotecnologias.

 

Agência Brasil: Quais são esses cinco aspectos que os senhores creem que precisam ser protegidos?

 

Yuste: Propomos o direito à privacidade mental. É preciso proteger as informações pessoais obtidas com o emprego de neurotecnologias, ou seja, os neurodados, da decodificação sem consentimento prévio, mantendo-as em sigilo. O segundo direito proposto estabelece o direito à identidade pessoal, ou à consciência. Para que o uso da neurotecnologia não perturbe ou altere o senso de identidade, confundindo-o com os insumos tecnológicos usados para conectar as pessoas. O terceiro neurodireito é o direito ao livre-arbítrio. Para que possamos continuar escolhendo a forma como nos comportamos sem interferências externas, sem a manipulação neurotecnológica. O quarto neurodireito prevê o acesso equitativo às neurotecnologias de ampliação sensorial ou cognitiva. Importante esclarecer que, para a maioria dos especialistas, esse melhoramento de certas funções mentais já está ocorrendo. Basta pensarmos nos aplicativos que nos fornecem informações que, de outra forma, teríamos que memorizar, como os localizadores por GPS ou agendas. Queremos prevenir as desigualdades decorrentes do maior ou menor acesso a essas tecnologias. O último dos cinco neurodireitos diz respeito à proteção contra as chances do uso das neurotecnologias injetar características discriminatórias em nossos cérebros, combatendo expressões preconceituosas no design do algoritmo que determina o funcionamento desses dispositivos.

 

Agência Brasil: Em relação a esse quinto ponto, o Grupo Morningside também propõe que cientistas, empreendedores e empresas prestem uma espécie de juramento parecido com o que é feito pelos médicos. Qual o objetivo disso?

 

Yuste: A ideia é copiar a medicina, cujas técnicas também servem para manipular o corpo humano e cujas regras éticas se aplicam a todos os médicos do mundo, que têm que prestar o Juramento de Hipócrates, prometendo só empregar o que aprenderam para ajudar os seus pacientes. Queremos copiar essa ideia e introduzir nas neurociências o Juramento Tecnocrático, com o qual todos os que desenvolvem e administram a neurotecnologia se comprometam a empregar seus conhecimentos e as técnicas a seu dispor para ajudar as pessoas.

 

Agência Brasil: O debate sobre a necessidade de os legisladores reconhecerem e protegerem os neurodireitos vem conquistando espaço em diferentes países. Da mesma forma como a discussão sobre a importância de mais investimentos no desenvolvimento de neurotecnologias que permitam aos cientistas avançar nas pesquisas sobre o funcionamento do sistema nervoso e da mente humana. Como o senhor avalia o atual momento? Quão perto estamos de ver essas propostas se tornarem algo efetivo?

 

Yuste: São duas coisas distintas. Os neurodireitos já foram acolhidos no Chile, onde uma emenda constitucional foi aprovada para proteger a atividade cerebral. No Brasil também já há uma proposta de emenda constitucional tramitando no Congresso Nacional, semelhante à que o Chile aprovou. Da mesma forma como no México. Uruguai e Espanha devem seguir por esse caminho. E nós, do Grupo Morningside, estamos trabalhando junto à Organização das Nações Unidas [ONU] para que esta incorpore os neurodireitos a seus tratados internacionais sobre direitos humanos. Ao mesmo tempo, estamos trabalhando em níveis nacionais e estaduais, como no Rio Grande do Sul, no Brasil, e no Colorado, nos Estados Unidos.

 

Agência Brasil: Há o risco de a regulamentação dos neurodireitos e a proteção dos neurodados retardarem o desenvolvimento das neurotecnologias?

 

Yuste: Via de regra, o uso das neurotecnologias é menos problemático no ambiente clínico, regulamentado por leis que já protegem a privacidade dos pacientes. O que nos preocupa é quando esses dispositivos e técnicas começam a ser usados para outros fins, em outros espaços, sem a necessidade do aval de um médico ou profissional sujeito a um código de ética. Ou seja, o que nos preocupa é a potencial popularização de aparelhos que qualquer pessoa poderá adquirir e usar em casa, para diversos fins, e que poderão recolher e transmitir neurodados para um servidor capaz de armazená-los e decodificá-los. É preciso antecipar-se a isso e proteger a todos, dentro e fora de hospitais e clínicas.

 

 

Agência Brasil: Mas não há o risco de isso desestimular investimentos, retardando os resultados dos estudos?

 

Yuste: Isso não significa impedir que empresas façam negócios ou pesquisas. Trata-se de, principalmente, estabelecer a obrigatoriedade de os responsáveis protegerem os dados cerebrais com o mesmo rigor com que empresas de biomedicina devem proteger as informações pessoais de seus pacientes. Uma das formas de fazer isso é estabelecendo que os dispositivos desenvolvidos por empresas neurotecnológicas sejam inspecionados por agências de regulação. Neste sentido, cabe destacar que, há pouco tempo, a Neurorights Foundation estudou os contratos de 30 companhias de neurotecnologia e concluiu que os clientes dessas empresas estão totalmente desprotegidos diante da falta de estruturas legais e regulatórias nacionais e internacional. Em todos os contratos analisados havia as chamadas ‘letras pequenas’, cláusulas que quase ninguém lê. E segundo as quais os clientes transferiam o direito sobre seus neurodados a terceiros. Inclusive para que as companhias os vendessem ou os transferissem a outras empresas.

 

 

Agência Brasil: É possível afirmar que, em breve, detentores das novas tecnologias poderão ler nossos pensamentos e interferir em nossos comportamentos?

 

Yuste: O desenvolvimento da inteligência artificial já possibilitou o uso de dispositivos neurotecnológicos não invasivos capazes de decifrar a linguagem, imagens mentais e emoções. Isso já foi feito. Há pouco tempo, com o uso da interface cérebro-máquina, um neurocirurgião de São Francisco [EUA] conseguiu reconstruir a linguagem e as emoções de uma mulher paralisada há vários anos, decodificando-as e reproduzindo-as com o uso de um computador. Para mim, isso é algo semelhante à explosão da primeira bomba atômica, pois significa que já é possível decodificar a atividade mental de uma pessoa. Com isso, acredito que, em mais cinco ou dez anos, descobriremos como começar a modificar a atividade cerebral. E, hoje, o único país cuja população está efetivamente protegida contra o eventual uso indevido disso é o Chile, onde já houve, inclusive, um caso em que a Corte Suprema ordenou que uma companhia de neurotecnologia apagasse todos os dados relativos à atividade cerebral de um cidadão e se submetesse à inspeção da Agência Nacional de Regulação Médica.

 

 

Agência Brasil: Ao mesmo tempo em que propõe a regulamentação dos neurodireitos, apontando os riscos do uso tecnológico indevido, o senhor defende a importância do desenvolvimento das neurotecnologias. O senhor é otimista? Acredita que as possibilidades positivas superam os eventuais riscos?

 

Yuste: Sim. Sou muito otimista. Dediquei minha vida e minha carreira ao desenvolvimento de neurotecnologias e à tentativa de compreender como o cérebro funciona para auxiliar quem precisa de ajuda urgente. Não há, no mundo, quem hoje não tenha um parente ou conhecido sofrendo com um transtorno neurodegenerativo como as doenças de Alzheimer ou de Parkinson ou mesmo com ansiedade, esquizofrenia e outras enfermidades para as quais ainda não encontramos cura. Temos que ajudar esses pacientes, e as neurotecnologias nos possibilitam fazer isso. Só que as mesmas tecnologias que nos permitirão decodificar a mente de um esquizofrênico e reprogramá-la poderão ser usadas para fazer o mesmo com uma pessoa dita normal. Daí a necessidade de assegurarmos que essas técnicas só sejam usadas para ajudar quem realmente necessita.

 

 

Agência Brasil

Pesquisadores percorrem milhares de quilômetros pelo Brasil para coletar amostras de espécimes de baunilhas

 

Mais de 10 mil quilômetros foram percorridos por estradas que atravessam o Cerrado, a Mata Atlântica e a Amazônia, passando por diversos municípios do País. Esse foi o trajeto da equipe da Embrapa em busca de espécies de baunilhas brasileiras. O resultado: 19 espécies coletadas e 60 exemplares incorporados ao Banco de Germoplasma de Baunilha da Embrapa, iniciado em julho de 2022, em Brasília (DF). Após três expedições, na Bahia, Mato Grosso e Pará, a coleção passou de cerca de 70 para 130 exemplares de espécies aromáticas.

 

Só na última viagem, com destino ao Pará, foram trazidas para Brasília 16 espécies, algumas coletadas em seu habitat natural, nos municípios de Belém, Cametá e Tomé-Açu e arredores, e outras vindas de orquidófilos locais, que já tinham algumas dessas plantas. “Isso corresponde a cerca de 30% das espécies que ocorrem no Brasil”, relata o pesquisador da Embrapa Cerrados (DF) Fernando Rocha, responsável pela atividade.

 

“Estamos montando uma das coleções mais representativas do mundo de espécies brasileiras, especialmente as dos grupos Vanilla odorata e hostmannii. A cada expedição, ampliamos a ocorrência conhecida de alguma espécie e a diversidade do banco genético da Embrapa”, completa Rocha.

 

Roberto Vieira, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenador do projeto, afirma que, com a coleção, já será possível identificar plantas com potencial agronômico para subsidiar a domesticação da baunilha no Brasil e auxiliar na preservação dessas espécies.

 

 

 

Produto com muito potencial

 

 

O Brasil não apresenta tradição no cultivo de baunilha, apesar de possuir grande diversidade de espécies nativas do País. “A baunilha brasileira tem potencial para gerar renda para pequenos produtores. Temos uma perspectiva de que ela possa ter seu uso ampliado na gastronomia e em outras áreas, podendo ser associada ao turismo gastronômico e ainda à diversificação produtiva, junto a outros produtos do Cerrado”, afirma o também pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Luciano Bianchetti. Empresas e cientistas já estão em contato com a equipe, interessados no potencial das espécies brasileiras.

 

A baunilha é uma planta trepadeira da família das orquídeas, pertencente ao gênero Vanilla. É a única orquídea a produzir fruto aromático, a fava, uma das especiarias mais apreciadas e valorizadas no mundo, utilizada principalmente nas indústrias alimentícia e de cosméticos.

 

Atualmente, há uma grande demanda por produtos com baunilha de origem natural nos mercados nacional e internacional. As espécies brasileiras têm características únicas e são capazes de conquistar mercados importantes, como o da alta gastronomia. Uma fava pode custar cerca de 50 reais ou mais, o que abre um novo nicho para agricultores brasileiros.

 

“Muitas espécies que ocorrem no Brasil ainda são desconhecidas no restante do mundo. Sua inclusão em mercados promissores pode valorizar os produtos regionais e gerar benefícios para comunidades rurais e outros interessados”, aposta Zenilton de Miranda, analista da Embrapa Cerrados.

 

 

 

 

O Banco de Germoplasma da Embrapa

 

A função de um banco de germoplasma é conservar a maior variabilidade genética disponível. Seu enriquecimento é possível por meio das coletas de material genético e intercâmbio com outras instituições.

 

O Banco de Germoplasma de Baunilha da Embrapa iniciou suas atividades há menos de dois anos e já conta com grande representatividade de espécies da América do Sul. Apesar de sua importância econômica, espécies de Vanilla são pouco representadas nas coleções de germoplasma no mundo.

 

 

Preservar para não perder

 

Em todo o mundo, são conhecidas cerca de 110 espécies do gênero. Dessas, apenas de 30 a 40 são aromáticas e ocorrem somente na América tropical e subtropical. Do total de espécies, cerca de 40 ocorrem no Brasil, sendo que os biomas Amazônia e Mata Atlântica contam com a maior diversidade.

 

A presença humana nos ambientes de ocorrência natural das baunilhas tem colocado em risco a sobrevivência dessas espécies. “O ideal é que ocorra a conservação in situ, no lugar de origem do material genético”, alerta Rocha. No entanto, para evitar que exemplares se percam, instituições de pesquisa buscam formas de preservar a biodiversidade do planeta. Bianchetti, que também participa das expedições de coleta, explica: “A conservação ex situ (fora do habitat) da diversidade de espécies de Vanilla e a variabilidade dentro das espécies são alguns dos objetivos do Banco de Germoplasma da Embrapa.”

 

Com as expedições, já fazem parte da coleção da Empresa materiais de cerca de 150 acessos diferentes. O pesquisador Roberto Vieira justifica a importância dessa diversidade, principalmente por haver poucos materiais coletados no Brasil: “Para o desenvolvimento da cadeia produtiva ligada principalmente à gastronomia, é importante conhecer a variabilidade entre espécies, inclusive de aromas. Para o melhoramento agronômico, visando produtividade, resistência a doenças e outras características desejáveis, pode ser que outros materiais tenham bastante relevância. Já para a ciência, podemos encontrar materiais que não foram registrados em outras regiões ou sequer descritos”, complementa.

 

Na Mata Atlântica, mais especificamente no Parque Estadual da Serra do Conduru (BA), na expedição realizada em novembro de 2022, foram encontradas a Vanilla bicolor, espécie com poucos registros fora da Amazônia, uma grande população de espécies do grupo da Vanilla odorata, e uma espécie ainda a ser confirmada.

 

O coordenador explica que, para o banco de germoplasma, diversidade significa mais segurança: “Temos materiais coletados em áreas que não são muito preservadas, sujeitas a danos de diversos tipos. O mais importante é ter acesso a esses materiais, para que eles não se percam.”

 

Baunilhas do Brasil: um projeto de resgate

 

Em dois anos, foram realizadas cinco expedições de coleta de baunilha pelo Brasil. As duas primeiras, no estado de Goiás, forneceram o material que deu início ao Banco de Germoplasma da Embrapa. Outras três foram realizadas no segundo semestre de 2022 e em 2023.

 

As viagens, apesar de planejadas detalhadamente, são quase uma aventura. Incluem trajetos de barco, caminhadas sob sol escaldante e chuva, travessia de trechos alagados e outras tantas dificuldades que aparecem ao se buscar material genético em áreas naturais.

 

“Essa viagem foi a mais complexa porque as distâncias envolvidas não têm paralelo fora da Amazônia”, conta Rocha. Apesar disso, o resultado foi muito positivo: “Encontramos apoio na Embrapa Amazônia Oriental, no Museu Goeldi e de colecionadores locais, como o orquidófilo Tiago Carneiro, o que transformou essa na viagem mais rica em termos de espécies coletadas.”

 

 

Análise de DNA para identificação de espécies

 

 

 

A identificação de uma espécie de baunilha não é uma tarefa fácil. Apesar de haver diferença entre as folhas das espécies, a confirmação, em geral, depende da análise de sua flor. O problema é que o florescimento da planta a partir de mudas pode levar até três anos, segundo a pesquisadora da Embrapa Marília Pappas.

 

O uso de ferramentas genômicas pode ser o caminho para facilitar e acelerar essa atividade. A pesquisadora coleta folhas de todas as amostras que chegam ao Banco de Germoplasma e extrai seu DNA, estrutura que carrega a informação genética de um organismo. Assim, ela garante um backup da informação genética desse material no Banco de DNA Vegetal da Embrapa, do qual é curadora, uma garantia extra para o caso de a planta não sobreviver na coleção.

 

“Análises a partir do DNA podem auxiliar no conhecimento sobre a diversidade genética dos materiais do Banco de Germoplasma e, consequentemente, da diversidade nas áreas amostradas, além de agilizar a identificação das espécies”, explica. É o caso de algumas plantas que vêm do campo sem a confirmação da espécie baseada em sua morfologia. A análise genética pode beneficiar vários interessados no cultivo de baunilha, pois garante ao comprador que a muda que ele está adquirindo é realmente da espécie pretendida e possibilita ao produtor de mudas a certificação de sua produção.

 

As metodologias genômicas usadas para as baunilhas são as mesmas aplicadas para espécies cultivadas comercialmente, como é o caso das commodities. “É comum existir pouca ou nenhuma informação genômica disponível para espécies de pouco apelo econômico, chamadas de espécies negligenciadas. Por isso, é preciso gerar as informações iniciais e, assim, construir um banco de dados para dar suporte às pesquisas de diversas áreas”, pontua.

 

Além disso, Pappas está em busca de marcadores moleculares para identificar precocemente as espécies de baunilhas brasileiras. “Nosso primeiro objetivo é obter um painel de marcadores moleculares para as diversas espécies nacionais, que permitam sua identificação precoce, ainda na fase de mudas. Com isso, é possível gerar informação sobre a diversidade das populações naturais e contribuir de forma significativa para a conservação das espécies e o fortalecimento da cadeia produtiva”, defende.

 

 

De Brasília para Mato Grosso

 

De um total de cerca de 40 espécies brasileiras de Vanilla, menos da metade, entre 15 e 17, têm frutos aromáticos. Elas estão espalhadas principalmente pelos biomas amazônico e Mata Atlântica. O norte do estado do Mato Grosso, apesar de pertencer ao bioma Cerrado, faz fronteira com o sul da Amazônia brasileira. “A região escolhida para a expedição de coleta foi a de Itaúba e municípios vizinhos, por ser de transição entre dois biomas e abrigar boa parte da biodiversidade de ambos, e por isso costuma apresentar alta diversidade de espécies”, explica Rocha.

 

A premissa se mostrou correta. Dessa expedição, resultou a maior coleta de 2022, o que demonstra que o local pode ser considerado um centro de diversidade para o gênero. “Em uma área muito pequena, abrangendo poucos municípios, foram coletados 16 acessos pertencentes a prováveis oito ou nove espécies, em apenas cinco dias”, conta Rocha.

 

Apesar do aumento da representatividade do Banco de Germoplasma de Baunilhas da Embrapa, ainda há muito que fazer. “Em pouco tempo, conseguimos coletar uma quantidade expressiva das espécies conhecidas para o Brasil. Mas, quando olhamos os dados, tanto os da literatura e dos herbários quanto os que coletamos, notamos que há um grande vazio de amostragem no interior do Brasil, especialmente no sul do Pará e no Amazonas, além do Amapá”, analisa o pesquisador da Embrapa Cerrados.

 

 

Desafios da criação de sistemas de cultivo

 

Durante as expedições, buscou-se também localizar produtores locais. Em todos os estados visitados – Goiás, Bahia, Mato Grosso e Pará – as propriedades visitadas apresentavam dificuldades para lidar com a produção das baunilhas brasileiras. Alguns fazem sua produção sob telado, outros, em sistema agroflorestal. Mas os problemas são comuns: inadequação quanto à umidade do solo e ao adensamento de plantas, doenças diversas, causadas por fungos e vírus, e ataque de pragas.

 

Essas observações são importantes para a pesquisa, pois, além da preservação do gênero, há a intenção de se desenvolver um sistema para produção das baunilhas brasileiras. “Essa etapa [de contato com pessoas que trabalham com baunilha] é essencial para a estruturação da cadeia produtiva das espécies brasileiras. Hoje, grande parte da exploração de espécies nativas, principalmente em Goiás, é feita por extrativismo”, explica o pesquisador Roberto Vieira.

 

Em geral, as informações disponíveis sobre o cultivo dessas orquídeas estão em língua estrangeira, o que se torna uma dificuldade para o cultivo da espécie por parte dos agricultores. Daí a relevância do primeiro resultado do projeto para a organização da cadeia produtiva dessa cultura: a cartilha “Cultivo de Baunilha – Práticas Básicas”. A publicação reúne informações de boas práticas de cultivo e manejo das baunilhas no Brasil para a obtenção de frutos de qualidade, com fundamento nos conhecimentos de sistemas de cultivo, aspectos fitossanitários, florescimento e polinização, processos de pós-colheita e beneficiamento.

 

O projeto contempla também capacitações para produtores rurais, profissionais de gastronomia e comunidades calunga. Vieira enfatiza a importância da difusão desses conhecimentos: “O estudo sobre o cultivo e a conscientização da sociedade são fundamentais para a preservação das baunilhas. O manejo é crucial para o estabelecimento da cadeia produtiva das baunilhas brasileiras, assim como a formação de viveiros para a produção de mudas voltadas a diferentes mercados e para a agricultura familiar.”

 

 Do preparo da viagem aos materiais de baunilha

 

O sucesso das viagens em busca de espécies depende de um bom planejamento. O primeiro passo é estabelecer um recorte geográfico. O objetivo pode ser a busca de uma espécie específica ou de alguma que se sabe que será perdida. Nos casos das expedições da equipe da Embrapa, o que se procura são áreas onde haja concentração de diferentes espécies.

 

Para isso, são realizadas consultas aos herbários nacionais e estrangeiros, locais onde são preservadas plantas desidratadas com informações do local onde foram coletadas. “É possível visualizar todas as plantas que foram historicamente coletadas no Brasil, ter uma ideia de onde estão e das regiões com maior número de espécies, o que é essencial para definir o roteiro da viagem”, conta o pesquisador Fernando Rocha.

 

Com uma revisão de literatura bem feita, é possível traçar o itinerário com possíveis pontos de coleta. O responsável pela atividade de coleta das baunilhas complementa: “Além disso, é fundamental estabelecer contatos com pessoas que conhecem as espécies e pesquisadores que já realizaram coletas na região pretendida e com guias de comprovada experiência no assunto”.

 

 

Embrapa Cerrdo

Primeira Sala da Mulher Empreendedora do PR leva conhecimento e autonomia financeira para MEI, em Londrina

 

Foi em novembro de 2023 que Maria Aparecida de Paulo, de 66 anos, formalizou o seu pequeno negócio na área da alimentação na Sala da Mulher Empreendedora de Londrina. Microempreendedora individual (MEI), ela produz e vende tortas salgadas, de sabores variados, sob encomenda e em feiras da cidade. Dois meses depois, sua cozinha pegou fogo e ficou parcialmente destruída. Fogão, exaustor, panelas, armários queimaram, assim como a fiação. Mas, graças ao CNPJ, ela conseguiu um bom desconto no conserto

.

As vantagens da formalização vão além de obter condições especiais de pagamento com fornecedores, passam pelo acesso ao crédito mais barato, pela garantia de benefícios previdenciários, como os auxílios doença e maternidade, até a oportunidade de venda de produtos e serviços para grandes empresas, ou mesmo para o Poder Público, com emissão de nota fiscal. Tudo isso a um custo mínimo, que pode variar entre R$ 71,60 e R$ 75,60 por mês, para as atividades que se enquadram como microempreendedor individual (MEI).

 

Segundo dona Cida, como é conhecida, o pequeno negócio, hoje, ajuda a complementar a renda dela e do marido, ambos aposentados com um salário-mínimo. Mas, a empreendedora sonha em ir mais longe, por isso, está sempre em busca de conhecimento.

 

“Tenho a Sala da Mulher como referência. Quando tenho dúvida, as meninas estão sempre prontas para me atender. Sou muito perseverante. Apesar da idade, quero aprender mais, estou fazendo um curso de gastronomia. Gostaria de ter alguém para me ajudar na produção”, conta dona Cida.

 

De agosto de 2023, quando foi inaugurada, até fevereiro deste ano, a Sala da Mulher Empreendedora de Londrina, a primeira do Paraná e a quarta do Brasil, atendeu 460 mulheres, promoveu duas Feiras da Mulher Empreendedora, duas rodadas de negócios, 25 consultorias e uma mostra de produtos. O espaço é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina e do Sebrae/PR e visa fomentar o empreendedorismo feminino e promover a autonomia financeira das mulheres.

 

Londrina tem 51.457 MEI formalizados, 46% são mulheres. A consultora do Sebrae/PR, Liciana Pedroso, diz que o serviço foi criado para atender as necessidades específicas dessas empreendedoras.

 

A Sala funciona no Centro de Oficinas para Mulheres da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, que fica na Rua Valparaíso, s/n°, no bairro Guanabara. No mesmo local, as mulheres encontram diversos cursos de formação e atendimento para se formalizar e se preparar para gerir o próprio negócio.

 

“Quando elas concluem as capacitações, conseguimos dar o direcionamento para o empreendedorismo, para que consigam se legalizar e crescer. Então, no mesmo lugar, elas encontram oportunidades de geração de renda e orientações para empreender”, afirma Liciana.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Liange Hiroe Doy Fernandes, afirma que a parceria com o Sebrae/PR na implantação da primeira Sala da Mulher Empreendedora do Paraná trouxe às mulheres um acolhimento maior para que elas possam obter capacitação, antes de iniciar o seu negócio, ou, ainda, aprimorar o que é necessário para o seu sucesso.

 

“Aqui, na Sala da Mulher Empreendedora, há um acolhimento da equipe da nossa Secretaria, visando não apenas a saúde do negócio em si, mas, principalmente, da mulher que é atendida e orientada. Sabemos da importância de um atendimento humanizado e que encoraje as mulheres a empreender de acordo com as suas potencialidades”, explica Liange.

Desafio Turismo Gastronômico: 10 startups se preparam para o Pitch Day, na próxima quarta-feira (13)

 

Das 47 startups de inovação que se inscreveram na primeira edição do Desafio de Turismo Gastronômico EmbraturLab, 10 irão para a fase do Pitcht Day, na próxima quarta-feira (13).

 

Lançado na Feira Internacional de Turismo (Fitur) 2024, em Madri, na Espanha, o concurso irá eleger empresas que proponham soluções para mapear e promover rotas e produtos turísticos gastronômicos brasileiros.

 

Além disso, segundo a coordenadora de Cultura e Gastronomia da Embratur, Ana Paula Jacques, o objetivo é consolidar o Brasil como um destino de turismo gastronômico inovador e sustentável.

 

“O Desafio de Turismo Gastronômico veio para atrair startups que possam promover nossa diversidade, nossa cultura alimentar, os patrimônios por meio de soluções inovadoras que conectem os turistas internacionais aos territórios, destinos e pessoas. Temos ainda o objetivo social e econômico de fortalecer comunidades gerando emprego e renda”, reforçou.

 

Desafio: inovação


A iniciativa é uma parceria entre o EmbraturLAB, laboratório de inovação da Embratur, e o Turistech Hub, hub líder em inovação do turismo no Brasil. Nesse sentido, o Desafio é, segundo o gerente de Inovação da Embratur, Edivaldo Reis, a oportunidade de promover a melhor experiência ao turista utilizando a inovação.

 

“Estamos buscando soluções que possam proporcionar experiências autênticas e de qualidade aos turistas estrangeiros. As inscrições recebidas refletem que a gastronomia tem um alto potencial para alcançarmos esse objetivo”, afirmou.

 

Para o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, a gastronomia brasileira cumpre um papel muito além do paladar: o de representatividade.

 

“Gastronomia é identidade. Ela representa a diversidade da cultura brasileira. Cada região, cada estado tem sua culinária, o que é um ativo central para atrair mais turistas”, ressaltou.

 

Conheça as fases do edital e os prazos clicando aqui: https://inovacao.embraturlab.com.br/desafio-rota-gastronomica/.

Universidade Aberta à Pessoa Idosa inicia atividades com cerimônia de boas-vindas aos participantes

 

Os participantes da Universidade Aberta à Pessoa Idosa (Unapi) foram recepcionados  na sexta-feira, 8, com uma cerimônia de boas-vindas. Ao todo, 1.258 idosos irão iniciar as atividades a partir da próxima semana na Cidade Universitária e nos Câmpus de Aquidauana, Coxim e Três Lagoas.

 

“Eu ouvi essa frase na semana passada quando estivemos em Aquidauana: ‘Esse programa me salvou, sou muito grata à Universidade’ e isso é a Unapi para nós, ela aquece nossos corações”, disse emocionada a vice-reitora Camila Ítavo.

 

Ela agradeceu o “sim” dos participantes, dos docentes e discentes envolvidos e de todos os que acreditam no programa de extensão. “A Unapi é muito importante para a UFMS porque nós formamos pessoas, nossos estudantes vão atuar junto a vocês e aprender muito com sua sabedoria de vida e assim temos esse ciclo de aprendizagem que é a coisa mais linda. […] A multiplicidade de ideias e a diversidade de pessoas fazem com que tenhamos um ambiente mais forte, mais íntegro, mais harmônico e fazem de nossa realidade uma realidade melhor. Desejo a todos um excelente ano”, falou.

 

A coordenadora da Unapi e professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Alimentos e Nutrição, Camila Guimarães Polisel, destacou o crescimento do programa. “A Unapi iniciou em 2018 com 32 participantes. Hoje, em 2024, são 1.258 pessoas. Foi um salto exponencial e temos uma lista de espera muito grande para todas as 50 diferentes atividades. Nosso desejo é expandir o programa, para que todos que queiram, possam estar conosco”, declarou.

 

Participaram também do acolhimento aos idosos, os pró-reitores de Assuntos Estudantis , Albert Schiaveto de Souza, que falou um pouco sobre o programa Sou Idoso da UFMS e desejou um ano maravilhoso a todos; e de Extensão, Cultura e Esporte , Marcelo Fernandes, que destacou o time de 50 professores doutores e estudantes de diversos cursos que irão promover as atividades e o quanto os estudantes da Unapi são queridos e esperados na Universidade.

 

“É com muita alegria que estou aqui hoje vendo essa vitória da Universidade e das pessoas aqui presentes. […] O crescimento desse programa demonstra a força que as pessoas têm, vocês fizeram a propaganda e trouxeram mais pessoas para cá. Os idosos são 15% da população sul-mato-grossense, existe uma demanda e ela vem para a Universidade por conta de vocês e da qualidade e seriedade do serviço oferecido. Enquanto subsecretária de políticas públicas para as pessoas idosas, só tenho a agradecer, parabenizar e nos colocar à disposição para que continuemos mantendo o funcionamento desses cursos”, anunciou a subsecretária estadual, Zirleide Silva Barbosa, que aproveitou e lembrou a todos sobre a campanha “Eu sou cidadão solidário”, que prevê a destinação de parte do imposto de renda aos fundos de Direitos da Criança e do Adolescente e de Direitos da Pessoa Idosa.

 

O representante do Deputado Estadual Renato Câmara e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Sebastião Messias de Souza, também expressou a alegria em ver o auditório lotado. “Temos acompanhado o trabalho de vocês aqui na Unapi e na UFMS e é fantástico. Fico muito contente quando vejo o idoso dentro da Universidade porque ele pode continuar seus estudos e realizar seus sonhos. Além disso, esta área precisa de mais profissionais especializados, então sou grato por estar aqui. Desejo muito sucesso a todos em suas atividades”, finalizou.

 

Solidariedade: Mesa Brasil de Dourados inicia Campanha do Agasalho 2024; arecadação segue até o dia 10 de maio

 

O programa Mesa Brasil Sesc de Dourados iniciou a Campanha do Agasalho 2024, para aquecer famílias em vulnerabilidade social atendidas pelo programa na cidade. As arrecadações estão sendo feitas no Sesc Dourados até o dia 10/05.

 

Em 2023, a campanha arrecadou 1.350 peças, entre agasalhos, sapatos e cobertores, beneficiando mais de mil pessoas.

 

“Esse ano, nosso objetivo é arrecadar pelo menos 1.500 peças, contribuindo para que essas doações amenizem o período de inverno de famílias em vulnerabilidade social atendidas pelo Mesa Brasil”, afirma Marcos Lira, gerente da unidade Sesc Dourados.

 

As entregas das doações podem ser realizadas na unidade Sesc Dourados, na Av. Mato Grosso, 1481, Centro.

 

O que doar?

  • Roupas masculinas e femininas

  • Roupas infantis

  • Cobertores e roupas de cama

  • Meias e gorros

  • Sapatos

  • Toucas e luvas

 

Ao realizar a doação, é importante certificar-se que as peças estão em boas condições. Sapatos sem par, roupas sujas, furadas, manchadas ou com rasgos, por exemplo, são descartados no processo de triagem.

 

Serviço – Para mais informações acesse o site sesc.ms ou nossas redes sociais @sescdourados.

 

 

Foto: Agepen

Povo Paiter Suruí terá primeira agência de etnoturismo do Brasil; projeto recebe investimento

 

Com um território de 224 mil hectares, comunidades da Terra Indígena Sete de Setembro, do povo Paiter Suruí, em Rondônia, se preparam para lançar o projeto Yabnaby – Espaço Turístico Paiter Suruí, que será a primeira agência indígena de etnoturismo criada e mantida por povos originários na Amazônia. O etnoturismo é uma modalidade turística em que os viajantes conhecem de perto a vida, os costumes e a cultura de um determinado povo, especialmente povos indígenas.

 

O projeto foi um dos selecionados, em 2023, para receber investimento do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma política do governo federal que funciona no contexto da Zona Franca de Manaus, sob a coordenação da organização não governamental (ONG) Idesam, com atuação na Região Amazônica.

 

A agência de etnoturismo idealizada por Almir Suruí, liderança indígena que se destaca como uma das mais empreendedoras do Brasil, com prêmios internacionais em direitos humanos, recebeu investimento do PPBio no valor de R$ 522 mil, para elaboração de um plano estratégico de negócios.

 

Brasília (DF), 08/03/2024, Primeira agência de etnoturismo indígena do país. Almir Suruí, liderança do povo Paiter Suruí, idealizador da agência de etnoturismo. Foto: PPBio/Divulgação
Almir Suruí, liderança do povo Paiter Suruí, idealizador da agência de etnoturismo – Foto: PPBio/Divulgação

 

“Neste ano de 2024, a gente vai construir todo o plano de marketing, o plano de comunicação e o plano de negócio. A agência vai ser responsável por implementar a estratégia que será criada aqui”, explicou Almir Suruí à Agência Brasil. A previsão é que a agência esteja funcionando no início de 2025, com sede no município de Cacoal e representação em Porto Velho.

 

Plataforma

 

O modelo de negócio prevê a criação de uma plataforma que realizará visitas virtuais na floresta, onde pessoas da comunidade vão poder contar sobre a história do povo Paiter Suruí, a rotina na comunidade indígena, como é a alimentação, entre outros temas.

 

“A ideia é que a plataforma tenha várias seções, com temas diferentes, em que os turistas possam imergir de forma online na realidade amazônica, funcionando como um ‘tira-gosto’ do que será de fato uma visita presencial na comunidade”, informou à Agência Brasil Paulo Simonetti, líder de captação e relacionamento com o investidor do PPBio.

 

Haverá também o turismo físico, presencial, na comunidade, onde os visitantes poderão tomar banho de rio, conhecer a comida e medicina tradicional, participar da dança, contação de histórias, passeios de barco, trilhas na floresta e vivência com atividades produtivas.

 

Brasília (DF), 08/03/2024, Primeira agência de etnoturismo indígena do país. Foto: PPBio/Divulgação
Primeira agência de etnoturismo indígena do país – Foto: PPBio/Divulgação

 

Almir Suruí disse que será realizado um curso para preparação de guias, que receberão turistas na região, além de cozinheiras, faxineiras e outras atividades necessárias ao etnoturismo. A previsão é que o curso tenha início até o próximo mês de abril.

 

A agência foi concebida por Almir Suruí, quando começou a desenvolver o Plano de estratégia de 50 anos do povo Paiter Suruí, nos anos 2000, e por meio de vários diagnósticos que levantaram o potencial do etnoturismo no território.

 

“É uma maneira de gerar emprego e renda para nossa comunidade e, também, para as pessoas conhecerem quem é o povo Paiter Suruí e nossa relação com a natureza, com a floresta, com os animais. Conhecer nossa história. Por isso, acreditamos que hoje há um potencial grande, no momento em que o Brasil trabalha também com a conservação ambiental para combater as mudanças climáticas”, avalia Almir Suruí.

 

Cadeias produtivas

 

Há 20 anos, a organização não governamental (ONG) Idesam vem estruturando cadeias produtivas na Amazônia, para diminuir a pobreza nas comunidades da região, além de atuar contra o desmatamento. A ONG tem várias frentes de ação: gestão territorial, para ajudar as comunidades a se estruturarem em cooperativas; capacitação de comunidades, com estruturação de produtos da floresta que consigam ser inseridos no mercado; e de geração de negócios, buscando parceiros comerciais que vão conseguir escoar os produtos das comunidades e comprar as matérias-primas.

 

“O Idesam trabalha de diversas formas para fazer a inclusão produtiva das comunidades com o objetivo de geração de renda, sempre dentro de uma perspectiva sustentável”, destacou Paulo Simonetti.

 

Brasília (DF), 08/03/2024, Primeira agência de etnoturismo indígena do país. Paulo Simonetti, líder de captação do PPBio. Foto: PPBio/Divulgação
Paulo Simonetti, líder de captação do PPBio – Foto: PPBio/Divulgação

 

Todas as indústrias instaladas na Zona Franca de Manaus são incentivadas, pela Lei da Informática, a investir em pesquisa e desenvolvimento para a região.

 

“Dentro dessa lei amazônica, as empresas têm obrigação de investimento de parte do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento na própria região. Uma das coisas que elas podem investir são os programas prioritários, criados pelo governo federal, para desenvolver a região e solucionar gargalos que a região possui”, disse Simonetti.

 

Atualmente, existem três programas prioritários atuantes: um industrial, outro de empreendedorismo e um terceiro voltado para a estruturação das cadeias produtivas da Amazônia, que é o PPBio. Esse programa conta atualmente com R$ 129 milhões em aportes e um total de 61 projetos em execução ou finalizados, com perspectiva de expansão nos próximos meses.

 

Gargalos

 

 

Brasília (DF), 08/03/2024, Primeira agência de etnoturismo indígena do país. Foto: PPBio/Divulgação
Etnoturismo indígena – Foto: PPBio/Divulgação

 

O PPBio tem atuado nos últimos 6 anos detectando os gargalos da região em termos de logística, rastreabilidade e qualidade de matéria-prima como oportunidade de negócio, em que dialoga com startups (empresas emergentes), institutos de pesquisa, buscando soluções que possam virar futuros negócios.

 

“A gente busca recursos com as indústrias e investe nessas prospecções, nas mais diversas cadeias. Uma cadeia que a gente tem buscado atuar é o turismo. É importante para a valorização da biodiversidade amazônica trazer essa consciência ambiental para os turistas que estão visitando a região, mas também gerando renda para a comunidade que vive ali”, disse Simonetti.

 

Ele considera que a estruturação da cadeia do turismo é uma grande oportunidade “até porque, hoje, o turismo, de forma geral, muitas vezes visa colocar o indígena ou a população tradicional não como agente de turismo autônomo, mas como uma atração. Para o PPBio, esse era um dos principais gargalos a serem resolvidos para fazer essa autonomia para a população indígena”. Uma das soluções encontradas é que o próprio indígena seja o autor e gerador dessa agência, fazendo-o pensar como quer promover o turismo na região.

 

Diversificação

 

Brasília (DF), 08/03/2024, Primeira agência de etnoturismo indígena do país. Foto: PPBio/Divulgação
Etnoturismo indígena – Foto: PPBio/Divulgação

 

Em paralelo, o governo federal tem orientado a Superintendência da Zona Franca de Manaus a diversificar o investimento cada vez mais fora da região metropolitana de Manaus, buscando outros estados onde também atua, como Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.

 

Desde o ano passado, o PPBio tem buscado bons projetos para investimento nesses estados. Em Rondônia, por exemplo, o PPBio apoia três projetos; no Amapá, são quatro projetos; em Roraima, dois; e no Acre, dois.

 

O projeto tem apoio do Instituto Ecoporé de ciência e tecnologia, que já é parceiro de longa data do povo Paiter Suruí.

 

Um dos objetivos na nova agência indígena é integrar o sistema de reservas às plataformas de hospedagem do mercado e replicar o modelo para outros territórios indígenas e etnias, visando que as atividades turísticas locais se tornem autossuficientes, informou a presidente do Instituto Ecoporé, Sheila Noele.

 

Agência Brasil

Brainfarma lança programa de emprego apoiado para pessoas com deficiência intelectual

 

A Brainfarma, uma das maiores fabricantes de medicamentos do Brasil, fechou parceria com a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Anápolis (GO) para inclusão e desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho. A iniciativa visa à contratação, capacitação e inclusão de pessoas com deficiência na indústria farmacêutica.

 

A primeira turma, com 10 alunos, começou em fevereiro, e os alunos poderão ficar até seis meses em treinamento. Os participantes, que já foram contratados pela Brainfarma, receberão formação em competências técnicas e comportamentais exigidas para atuação na área de Embalagem da companhia. Após a capacitação, os colaboradores serão encaminhados para trabalharem em linhas desse setor da companhia.

 

“A iniciativa faz parte de nossa estratégia ESG, como meio de reforçar a inclusão e diversidade no ambiente de trabalho, gerando oportunidades para as pessoas com deficiência. Ter a APAE como nossa parceira é fundamental para garantir uma integração alinhada às melhores práticas, incluindo a capacitação desses novos colaboradores e a sensibilização de gestores e futuros colegas de trabalho”, destaca Daniela Castanho, diretora executiva de Operações Industriais da Brainfarma.

 

“O programa de emprego apoiado é um projeto social da APAE Anápolis em parceria com empresas para permitir que, por meio da profissionalização, as pessoas com deficiência possam ser incluídas na sociedade com mais facilidade. Contamos, portanto, com uma equipe de referência, composta por assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional e profissionais da área jurídica para garantir os direitos sociais e para trabalhar com as habilidades específicas das pessoas com deficiência”, complementa Mirian Queiroz, procuradora jurídica da APAE Anápolis e APAE Brasil.
Os participantes do programa continuarão sendo acompanhados pela APAE após o treinamento, por meio de orientação e monitoramento contínuos, em conjunto com a Brainfarma, para aprimoramento de habilidades e desenvolvimento dos profissionais no ambiente de trabalho. Sensibilização para liderança e colegas de trabalho também será oferecida continuamente pela APAE.

 

Desde 2022, a companhia, subsidiária do Grupo Hypera Pharma, possui um Programa de Diversidade e Inclusão, com grupos de afinidade focados exclusivamente em temas relativos a pessoas com deficiência, equidade de gênero, raça, LGBTQIAP+ e gerações. Esses grupos propõem iniciativas para tornar o ambiente de trabalho cada vez mais diverso e inclusivo.

 

 

Sobre a Brainfarma

 

A Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A. é uma das maiores fabricantes de medicamentos do Brasil. Conta hoje com um dos mais modernos centros de pesquisa e desenvolvimento de produtos farmacêuticos no país. Sua principal unidade se localiza em Anápolis (GO), uma das maiores fábricas de medicamentos da América Latina, com cerca de 160 mil metros quadrados de áreas construída, que abriga mais de 5500 colaboradores e tem capacidade para produzir mais de 830 itens distintos, nas mais variadas formas farmacêuticas: sólidos, líquidos, semissólidos, efervescentes, injetáveis, aerossóis, dentre outras.